Na manhã desta segunda-feira(02), a Câmara Municipal de São Luís realizou a Sessão Solene de Abertura dos Trabalhos Legislativos de 2026, marcando oficialmente o início das atividades parlamentares. O ato contou com a presença de vereadores, autoridades dos demais Poderes, hasteamento das bandeiras e apresentação da Banda da Polícia Militar do Maranhão.
Entre os parlamentares presentes, chamou atenção a postura serena, técnica e preocupada do vereador Astro de Ogum (PCdoB), decano da Casa e presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Mais do que o simbolismo da solenidade, o parlamentar demonstrou atenção concentrada em temas estruturantes que hoje pressionam a cidade e exigem mediação institucional responsável.
As preocupações centrais do decano
No início de 2026, três grandes agendas se impõem ao Legislativo ludovicense e ajudam a explicar a postura cautelosa de Astro de Ogum:
🔹 Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, ainda não votada, apesar de estimar uma receita superior a R$ 6 bilhões para o município. Como presidente da CCJ, Astro tem reforçado a necessidade de observância do devido processo legislativo, da transparência e da legalidade, lembrando que orçamento público não pode ser tratado com pressa, sob risco de comprometer políticas públicas ao longo de todo o ano.
🔹 Nova Lei de Zoneamento, Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo, considerada uma das legislações mais sensíveis da década. O tema impacta diretamente moradia, mobilidade, zona rural, meio ambiente e periferias. Para o Blog A Força das Comunidades e o Movimento MACAIB, trata-se de um debate que exige ampla participação popular e justiça social, evitando que interesses econômicos se sobreponham ao direito à cidade.
🔹 Crises estruturais nos serviços públicos, com destaque para o transporte coletivo, que voltou a entrar em colapso.
Transporte público na UTI
Um dos problemas mais urgentes enfrentados por São Luís neste início de ano, é a situação do transporte público, que há mais de 72 horas enfrenta nova paralisação geral, deixando centenas de bairros desassistidos. Mesmo após o reconhecimento do estado de emergência, a população segue sem respostas efetivas.
Para Astro de Ogum, trata-se de um problema que exige mediação política, responsabilidade institucional e diálogo permanente, sob pena de aprofundar o sofrimento da população trabalhadora, que depende do sistema para acessar emprego, saúde, educação e serviços básicos.
O debate público e a postagem do ex-prefeito
Essa mesma preocupação foi levantada pelo ex-prefeito de São Luís, Tadeu Palácio, que, no último fim de semana, publicou uma postagem questionando “de quem é o interesse da greve do sistema de transporte coletivo”. A manifestação repercutiu no Blog do Jorge Aragão [clique e veja], reacendendo o debate sobre as causas do impasse.
Na postagem, Tadeu Palácio sugere a existência de interesses políticos por trás do movimento grevista e manifesta apoio à condução do prefeito Eduardo Braide no enfrentamento da crise.
A posição do Blog A Força das Comunidades
Para o Blog A Força das Comunidades, a provocação feita pelo ex-prefeito contribui para o debate, mas não esgota as causas reais do problema. O blog se resguarda em uma posição de imparcialidade, sem alinhar-se a governos, empresários ou sindicatos, buscando apenas compromisso com a verdade e com o interesse coletivo.
Na avaliação deste veículo, o cerne do impasse está na falta de diálogo efetivo e permanente entre o poder público, os empresários do transporte e o sindicato da classe trabalhadora, somada à ausência de oportunidades reais de participação popular na gestão do sistema. Esse “jogo de cintura” político e institucional, presente em gestões anteriores inclusive na do próprio Tadeu Palácio, hoje se mostra fragilizado.
Sem diálogo franco, transparente e socialmente pactuado, São Luís segue refém de crises recorrentes no transporte público, que poderiam ser evitadas com uma gestão mais aberta, mediadora permitindo que todos colaborem e se comprometam com a construção coletiva de soluções.
Por que este dia é importante?
A abertura do ano legislativo não é apenas um rito formal. Ela inaugura um período decisivo de escolhas políticas, jurídicas e administrativas que definirão o rumo de São Luís em 2026.
Cabe ao Legislativo exercer seu papel com independência, técnica e responsabilidade. Cabe ao Executivo respeitar o diálogo institucional. E cabe às comunidades ocupar os espaços de debate, porque o futuro da cidade não pode ser decidido sem o povo.
É exatamente por isso que perguntamos:
POR QUÊ este dia é tão importante?
Porque é aqui que se define se o ano será marcado por decisões apressadas ou por escolhas responsáveis, e essa resposta precisa, mais do que nunca, ser refletida.


