Reflita na resposta
É fato que o vereador Astro de Ogum (PCdoB) construiu, ao longo de décadas, uma imagem pública diretamente associada aos bairros e às comunidades de São Luís. Conhecido como “vereador das comunidades” ou “vereador doméstico”, o decano do Legislativo municipal mantém uma atuação marcada pela presença constante nos territórios, seja em períodos de atividade parlamentar ou mesmo durante o recesso da Câmara Municipal, quando adota a prática do gabinete móvel para atender lideranças e moradores diretamente nos bairros.
Quando o Parlamento está em pleno funcionamento, o cenário se repete: o gabinete do vereador permanece, rotineiramente, tomado por comitivas de lideranças comunitárias e populares, que levam demandas concretas relacionadas a infraestrutura, saúde, educação, mobilidade urbana e serviços essenciais. Essa convivência permanente com a realidade dos bairros, faz de Astro de Ogum um dos parlamentares mais familiarizados com a chamada “biografia social” das periferias de São Luís.
É justamente a partir dessa vivência cotidiana, que surge o questionamento feito pelo vereador em vídeo recente, no qual demonstra dúvida quanto ao nível real de aprovação do prefeito Eduardo Braide junto à população. A fala não parte de uma análise abstrata ou de disputa retórica, mas do acúmulo de demandas recorrentes que chegam diariamente ao seu gabinete por meio das comunidades.
Nesta quarta-feira, por exemplo, Astro de Ogum recebeu lideranças da zona rural de São Luís, representando localidades como Residencial Nova Vida, Mato Grosso e Coquilho II. Entre as reivindicações apresentadas, estavam a perfuração de poços artesianos, calçamento e asfaltamento de ruas, implantação de posto médico, escola, melhorias no transporte público e outras políticas públicas básicas. Diante desse conjunto de carências, o vereador verbalizou o questionamento: onde estaria, de fato, essa aprovação do gestor municipal, se dezenas de bairros seguem desassistidos?
Do ponto de vista do Blog A Força das Comunidades, é necessário registrar que a aprovação do prefeito Eduardo Braide não pode ser desconsiderada como realidade política, uma vez que ele foi reeleito no primeiro turno das eleições municipais de outubro de 2024. Trata-se de um dado eleitoral objetivo e incontestável. No entanto, também é legítimo ponderar que esse resultado reflete um contexto político de mais de um ano atrás, considerando que nos encontramos em fevereiro de 2026, e que a avaliação de uma gestão é dinâmica, sendo constantemente impactada pelos fatos do presente, pela execução das políticas públicas e pela percepção cotidiana da população nos bairros.
Nesse sentido, o questionamento de Astro de Ogum dialoga com um cenário atual de desgaste percebido em diversos bairros, especialmente aqueles que enfrentam ausência de políticas públicas estruturantes e, mais recentemente, os reflexos da crise no sistema de transporte público urbano da capital maranhense. São fatores que influenciam diretamente a percepção popular sobre a gestão municipal.
Ao final do encontro, a comitiva de lideranças saiu do gabinete satisfeita com a mediação feita pelo vereador, que articulou, em parceria com o Governo do Estado, a programação de uma série de investimentos para as comunidades citadas. O episódio reforça o papel histórico do decano como mediador entre as demandas populares e o poder público.
Diante disso, a pergunta permanece aberta e necessária: qual é, hoje, a real aprovação da gestão municipal nos bairros mais periféricos de São Luís?


