Na folia do carnaval, vem aí o 1º Encontrão de Tambor de Crioula da Área Itaqui-Bacanga em 2026. O evento acontece no dia 17 de fevereiro, as 17h, na Associação Beneficente dos Idosos Bumba Boi da Vila Bacanga, localizada na Rua São Sebastião, nº 96, bairro Vila Bacanga. O encontro contará com a ilustre presença do decano da Câmara Municipal de São Luís, o vereador das comunidades, Astro de Ogum, além de sua especial comitiva de convidados.
A Região Itaqui-Bacanga é, sem exageros, uma das mais estratégicas e contraditórias de São Luís. Reconhecida oficialmente como uma das 15 regiões administrativas da capital, ela concentra algumas das maiores alavancas econômicas do Maranhão, mas convive historicamente com profundas desigualdades sociais, culturais e de oportunidades para sua população.
Geograficamente, a região é singular: abriga duas zonas urbanas: Vila Embratel e Anjo da Guarda; e duas zonas rurais: Gapara e Vila Maranhão. Ao todo, são 72 bairros, com uma população estimada em cerca de 240 mil habitantes, formando um território diverso, pulsante e estratégico.
Por que a Região Itaqui-Bacanga é geograficamente singular?
A Região Itaqui-Bacanga é considerada geograficamente singular porque reúne, dentro de um mesmo território administrativo, duas zonas urbanas e duas zonas rurais plenamente ativas, realidade pouco comum em capitais brasileiras.
As zonas urbanas destacadas Vila Embratel e do Anjo da Guarda concentram maior adensamento populacional, comércio, serviços e infraestrutura típica de cidade. Já as zonas rurais citadas Gapara e Vila Maranhão preservam características do campo, com agricultura familiar, pesca artesanal, áreas de mangue e comunidades tradicionais.
Essa combinação faz da região Itaqui-Bacanga um território onde cidade e campo coexistem, ao mesmo tempo em que abriga indústrias de grande porte, o Porto do Itaqui e importantes equipamentos públicos, distribuídos em 72 bairros, com cerca de 240 mil habitantes.
Essa complexidade territorial exige políticas públicas integradas e específicas, capazes de atender realidades urbanas e rurais sem aprofundar desigualdades sociais, ambientais e culturais.
Dentro dessa mesma área, estão instalados grandes complexos industriais e empresariais, bem como importantes equipamentos públicos da União, do Estado e do Município, além de um dos principais centros de excelência acadêmica do Maranhão, o Campus do Bacanga da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Soma-se a isso um dos maiores patrimônios logísticos do país: o Porto do Itaqui, considerado um dos principais portos da América Latina e uma das maiores fontes de arrecadação e circulação de riquezas do estado.
Paralelo a esse cenário de desenvolvimento econômico e concentração industrial, a Região Itaqui-Bacanga também enfrenta graves desafios ambientais. A presença de grandes empresas e complexos industriais ao longo dos anos, tem provocado impactos significativos sobre reservas naturais, rios, cacimbas, áreas de mangue, lençóis freáticos e demais recursos hídricos, muitos deles hoje comprometidos. Diante dessa realidade, segmentos organizados da sociedade civil, lideranças comunitárias, movimentos sociais e cidadãos em geral, têm buscado dialogar e firmar parcerias com o poder público e com a iniciativa privada, cobrando e construindo políticas efetivas de preservação ambiental, compensação social e responsabilidade socioambiental, garantindo que o desenvolvimento econômico não continue avançando às custas da degradação do território e da qualidade de vida das comunidades locais.
Rica em recursos, mas pobre em políticas públicas
O paradoxo é evidente. Apesar de toda essa concentração de riquezas, a Região Itaqui-Bacanga ainda enfrenta déficits históricos de políticas públicas, especialmente nas áreas de emprego, renda, inclusão social e valorização da cultura popular. A falta de oportunidades fez com que diversos grupos e manifestações culturais locais fossem enfraquecidos ou até extintos, não por ausência de talento ou tradição, mas por falta de incentivo, estrutura e reconhecimento governamental.
Ainda assim, a região sempre foi e continua sendo um celeiro da cultura popular maranhense. É nesse contexto de resistência, identidade e pertencimento, que surge um evento de enorme relevância simbólica e social.
Vila Bacanga sediará o 1º Encontrão de Tambor de Crioula da Área Itaqui-Bacanga em 2026
No próximo dia 17 de fevereiro, um dos bairros mais populares e emblemáticos da região, a Vila Bacanga, será palco do 1º Encontrão de Tambor de Crioula da Área Itaqui-Bacanga. O evento será realizado na Rua São Sebastião, na sede social da Associação Beneficente dos Idosos Bumba Boi da Vila Bacanga, reafirmando o bairro como território de cultura viva e resistência popular.
O Encontrão é promovido pelo presidente do Conselho Cultural Tambor de Crioula do Maranhão e também presidente da Associação Beneficente dos Idosos Bumba Boi da Vila Bacanga, UBALDO MARTINS, um reconhecido promotor cultural da região. A iniciativa reúne diversos grupos e segmentos da cultura popular maranhense, fortalecendo tradições que resistem há gerações.
Além de seu valor cultural, o evento também cumpre um papel estratégico: funciona como importante aperitivo cultural e político para o Encontrão de Comunidades da Ilha, marcado para o dia 28 de fevereiro, na Vila Embratel, em reforço à Lei MACAIB, que luta pelo reconhecimento e fortalecimento das comunidades.
Apoio Institucional e presença do parlamentar das comunidades
O 1º Encontrão de Tambor de Crioula da Área Itaqui-Bacanga, contará ainda com a presença especial e parceria institucional do decano da Câmara Municipal de São Luís, o vereador Astro de Ogum, reconhecido como parlamentar das comunidades, que participará acompanhado de uma importante comitiva de convidados especiais.
Sua presença reforça o diálogo entre cultura, poder público e territórios populares, reconhecendo que não há desenvolvimento sem inclusão cultural e social.
Cultura que gera renda, emprego e dignidade
Mais do que celebração, o evento representa oportunidade concreta de inclusão econômica. Famílias da Vila Bacanga e de bairros vizinhos, poderão comercializar comidas típicas, como mingau, fubá de milho e outros produtos da culinária local. Todo o comércio do bairro e da região será movimentado, gerando renda, fortalecendo pequenos empreendedores e aquecendo a economia local.
É a cultura cumprindo seu papel mais amplo: gerar pertencimento, renda, visibilidade e dignidade para uma das regiões mais populares e historicamente negligenciadas da capital maranhense.
Convite às famílias e comunidades
A Vila Bacanga está convocada. As comunidades da Área Itaqui-Bacanga também.
No dia 17 de fevereiro, a Rua São Sebastião será tomada pelo povo, pelos tambores, pelas saias rodadas e pela força da cultura popular maranhense.
Participe. Se programe. Dance Tambor de Crioula. Celebre a cultura que resiste e transforma.
📍 1º Encontrão de Tambor de Crioula da Área Itaqui-Bacanga
📅 17 de fevereiro
📌 Associação Beneficente dos Idosos Bumba Boi da Vila Bacanga – Rua São Sebastião
Porque onde o poder público falha, o povo se organiza e a cultura abre caminhos.



